Confira a conversa com o diretor Martin Viaggio de “Para quem você ligaria?”

“Para quem você ligaria?”, de Martin Viaggio, exibe-se na oitava edição do Festival como resultado da proposta do Primeiro Plano de integração com as Mercocidades.  O filme argentino foi exibido na Pré-estreia de Longa-Metragens, nesta sexta, 30.

A equipe de realização do filme não pôde estar presente, mas o diretor Martin Viaggio nos concedeu uma entrevista por e-mail.

- Qual a expectativa em exibir ” Para quem você ligaria?”?

Nossa expectativa é de que nosso filme seja vista pelo público brasileiro, já que este é um país que produz filmes de grande qualidade técnica e artística. Para nós é um desafío aceder a um mercado diferente ao nosso, concom espectadores com sensibilidades particulares e gostos próprios.

- Como foi o processo de produção de seu longa-metragem no contexto de crise financeira?

O filme foi rodado integramente na Argentina. Exceto o ator protagonista, Roberto Birindelli, que trabalha no mercado  brasileiro e vive no Rio de Janeiro, todos os outros atores e  locaçoes são “porteñas”. O filme se realizou com o apoio do Instituto de Cinematografia de Argentina, e  sua escala é low-budget. Foi rodado em 16 dias.

- Quais os diferenciais desse longa-metragem? O que o público pode esperar desse filme?

Nos disseram que nosso filme é “diferente” do que se produz no Brasil, já que é un filme com pouca ação, que conta a história de um homem urbano de classe média na metade da vida, em crise consigo mesmo, com problemas afetivos, um  homem que se olha no “espelho” que é seu pai, e que, ao mesmo tempo, tem a responsabilidade de transmitir suas “idéias” sobre o mundo, o amor, os afetos, a seu próprio filho.
O  filme é quase um solilóquio deste homem, uma sucessão de diálogos e situaçoes quotidianas que vão narrando sua crise. Sua maneira de falar, de relacionar-se com o entorno, seu humor negro, sua ironía, decepção e  desconsolo, o fazem um personagem que, conforme ouvi de vocês brasileiro, é um tipico “porteño”, quase “tanguero” (personagem do tango). Nós não fomos conscientes desta particularidade, é algo que descobrimos a partir dos comentários do público brasileiro, e nos surpreendeu muito esse olhar sobre o filme.
Ao mesmo tempo, a problemática do personagem é universal, e nele  qualquer espectador do mundo pode ver reflexadas suas próprias dúvidas e conflitos.
Nós lhes oferecemos nosso filme com humildade e alegria, esperando que voces desfrutem de uma história narrada de uma maneira um pouco diferente a que estão acostumados.
E que quando saiam da sala de cinema o façam com um sorriso, quem sabe um pouco comovidos, perguntando-se a si mesmos se, se pasasse algo na rua, os colocassem em uma ambulância, e o médico lhes perguntasse a quem ligar, a quem ligariam?

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